Blog é coisa de doido. Você cria uma página, conta tudo que quiser. Aí vem gente que, curiosos, vem saber o que você tem a dizer. Bom, no meu caso é coisa de doido sim. Aqui estará registrado todas as loucuras culturais, sociais e 'aventurais' que passarei pelo Velho Mundo. O compartilhar de experiências e impressões é o que nos move a se reunir aqui. A vida sendo vivida e compartilhada com quem mais quiser. Em outras palavras, gelo liso, de fato, é um verdadeiro paraíso pra quem sabe dançar!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Choque cultural em uma voltagem fulminante!
Começaram as despedidas. Os três turcos (duas meninas e um cara super sangue bom) que estavam trabalhando conosco no projeto, voltaram pra Turquia. E, como de costume, nós brasileiros fomos os mais emotivos e calorosos. Em cada despedida, sentíamos como se um irmão tivesse indo embora, em contrapartida, os outros gringos que continuam com a gente reagiram de uma forma muito mais contida e muito menos afetiva. Pessoas que compartilhamos experiências que nunca esqueceremos. Pessoas que provavelmente nunca mais veremos. Nos apegamos fácil demais ou são eles que são frios demais? Não sei, mas espero que a probabilidade erre dessa vez.
Alguns se foram, mas o projeto continua. Apesar de ter ficado duas semanas de molho em casa por causa de uma leve inflamação no calcanhar esquerdo (lendo sobre geografia política e entendendo melhor a revolta contra o ex-presidente Mubarak pelos próprios egípcios, e assitindo a primeira temporada de "Lie To Me", viciados em seriados de plantão, por favor, compartilhem suas análises) o trabalho continua interessante graças a nós intercambistas, não por êxito da Aiesec local, que a todo momento se mostra desorganizada e mal planejada. Debater e incitar jovens ucrânianos tem sido um enriquecimento profundo, tanto pela diferença de idade (que, apesar de não ser tão grande, já demonstra uma mentalidade diferente da minha geração), quanto pela diferença de nacionalidade/cultura/religão. Consegui sentir, de uma forma muito próxima, em temas como clonagem, homosexualismo, mulher na sociedade, entre outros, como o conservadorismo da religião ortodoxa e os resquícios soviéticos permeiam entre a mentalidade do povo do leste europeu, em sua maioria.
A sensação que tenho aqui é que sempre há um grande contraste em tudo:
Pudor: Não se pode andar sem camisa na rua; a idade mais comum de se casar é por volta dos 23 anos; são raríssimos os caso de traição e de pessoas com histórico de muitos relacionamentos; e mais raro ainda é o "ficar" brasileiro.
Contraste: As mulheres aqui, apesar do frio doloroso, confirmam a frase "Piriguete não sente frio" e andam om saias curtíssimas; namorados aqui se beijam loucamente nas ruas, nem comento o que tenho visto nas boates; e metade das prostiutas da europa são ucrânianas.
Alcolismo: É proibido beber na rua; jovens ao comprar bebida são obrigados a mostrar identificação
em qualquer lugar; e bêbados são visto com péssimos olhos pelos ucrânianos.
Contraste: Pessoas bebem na rua; vi muitos jovens embriagados em todo lugar e toda hora; um terço dos supermercados é reservado a bebidas alcólicas, vendendo mais de vinte tipos diferentes de vodka e todos os outros tipos de bebida; e o símbolo nacional mais típico do homem ucrâniano é o bêbado indigente, que por sinal, é recorrente encontrá-los nas ruas (apesar de não ter tanto morador de rua - contraste do contraste!).
Desenvolvimento: Esse é um aspecto que precisa ser desenvolvido mais do que em tópicos. A todo momento minha cabeça se confunde se este é um país de primeiro ou de terceiro mundo. As escolas são de ótima qualidade, incluindo as públicas. Eles aprendem 4 ou 5 línguas (dependendo da escola); possuem duplo período, sendo que por um turno pratica-se, obrigatoriamente, atividades como música; recebem café da manhã e almoço; entre alguns outros. A honestidade do povo daqui é de nos dar inveja: você entra no ônibus, seu dinheiro passa de mão em mão até chegar no motorista, daí então o seu troco volta, de mão em mão, certinho, nem um centavo faltando. Isso sem citar que você pode entrar e não pagar, já que não tem cobrador, mas ninguém faz isso.
Sintomas de um povo que quer e pode se tornar em uma nação e tanto. Porém há outros fatos que a exclui do grupo de países desenvolvidos. Existem aqui todos os meios de transporte (metrô, ônibus, trollerbus, trem, plano inclinado e táxi) que, teoricamente, deveriam tornar a cidade de Kiev um centro de fácil locomoção. Teoricamente. Há uma enorme dificuldade se achar coisas por aqui, são raras as placas com nomes das ruas e quando há nunca em inglês. Ônibus ultrapassados e super lentos, sem falar na recorrente falta de sinalização para saber para onde vão e de onde vêm. Facilidades encontradas nos países capitalistas não são encontradas aqui com a mesma frequência. As coisas aqui não são tão acessíveis como estou acostumado. Mercados não têm a mesma variedade, as pessoas muitas vezes não sabem onde posso encontrar cabelereiro, materiais de construção, peças de informática, etc.
Antes de vir pra cá, no Brasil, comecei a aprender a língua russa e seu alfabeto cirílico. O progresso aqui não foi tão produtivo, porque pra isso tenho que encher o saco de todo mundo perguntando o tempo todo como falar 'isso' ou 'aquilo' em russo. Muito por isso tive que usar inglês para me comunicar, tanto com os intercambistas que moram comigo, quanto nas ruas. Sim, os cidadãos de Kiev falam inglês! Não como um país de primeiro mundo, mas muito mais que as cidades do Brasil. A população idosa não fala, mas todo jovem aprende na escola inglês (e quando digo aprende, é de fato aprender! Não como no Brasil...) o que torna possível minha comunicação com eles. E isso fez meu inglês desenvolver bastante, com certeza muito mais útil do que qualquer outra coisa.
Então é isso, no geral as coisas estão ótimas. Continuo tendo casa quente e bons casacos, além de boas companhias. Quero sempre feedbacks a respeito das minhas postagens, se estão interessantes, grandes, pequenas, chatas. Perguntem e sugiram temas, impressões e opiniões. Na próxima postagem tenho uma grande surpresa! Não percam meu próximo relato...
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
A Ucrânia existe!
Aqui estou e confirmo pra vocês: a Ucrânia realmente existe e ela está bem aqui, num lugar bem frio e esquecido do planeta. Até agora variei entre -3º à -27º C e fica, agora, muito mais claro pra mim o quanto não conhecemos o mundo e as milhões de possibilidades que se desenvolvem dentro dele. É incrível como a temperatura, uma questão de ordem física, altera toda uma população, em aspectos como história, desenvolvimento, personalidade, economia, costumes e, principalmente, a frieza do povo ucraniano.
Mas pra frente me empenharei em detalhar mais minhas impressões sobre o povo ucraniano e sua mentalidade. Agora preciso falar minhas primeiras impressões sobre minha chegada e deste pedaço de mundo tão estranho. As coisas aqui naturalmente são diferentes do Brasil por diversos motivos, além do clima, aqui encontramos resquícios do passado comunista (como conservadorismo, religiosidade, rudeza), contrastes no desenvolvimento (aspectos evoluídos por ser um país europeu contrapondo-se a atrasos e varias outras coisas por não fazer parte da zona do euro) e um país jovem. O fato de ser uma nação recém soberana faz com que exista uma certa ausência de sentimento nacional, de patriotismo, além de algumas coisas ainda não serem tão sistematizadas.
Uma coisa que muda completamente a rotina da cidade de Kiev é a neve. Ela está em todo lugar, em cima de carro, em árvores, no chão, nas minhas orelhas! Tive que me acostumar a sempre fazer mesmo processo ao sair pra rua e entrar em lugares fechados. Bota gorro, cachecol, segunda pele, meias, camisa, primeiro casaco, segundo casaco e uma boa bota. Agora tira tudo. Então bota tudo de novo, e assim vai.
O fato da moeda ser favorável pro real me faz ter uma condição super tranquila, gasto, por exemplo, em média R$ 250 com mercado, transporte, comer na rua e sair na noite. Claro que nunca esbanjando e nem passando aperto.
Estou num ritmo trabalho e casa, não tenho saído. Princialmente porque minha casa é longe do centro. Ah sim! Tenho que falar da minha casa! Ela é afastada da cidade, o último ônibus é 21h e ainda tenho que pegar um metrô pro ponto de ônibus. Fica num condomínio de umas 7 casas, e o portão fecha meia-noite. A casa tem um quintal mas só tem neve, por isso só serve como campo de batalhar pras guerras de bola de neve. Tem dois andares, em cima 2 suítes, uma sala-cozinha e adivinhe?!?! Temos uma sauna dentro de casa!! Eu sempre odiei sauna no Brasil, mas aqui é sensacional. Na casa somos 9: eu e Caio, 2 turcas e um turco, um eslovaco, um egípcio, um cara doido da malásia e, obvio, uma chinesa! Todos trabalhamos no mesmo projeto.
O trabaho tá incrível. Tenho 4 turmas em duas escolas, uma pública e uma privada. E pasmem, aqui na Ucrânia não vi diferença entre as duas entidades. Os alunos tem café da manhã e almoço. Tenho um roteiro a seguir, mas coloquei ele no fundo da gaveta. É obvio que não vou ficar aqui perdendo meu tempo falando sobre proatividade, brand pessoal e habilidades em negócios com crianças de 13 e 14 anos. Estou fazendo meus próprios temas, sempre tentando quebrar paradigmas e desfazer estereótipos culturais. Está sendo muito difícil e por isso mais prazeroso. Perco horas nas madrugadas preparando apresentações e desenvolvendo argumentos pras discussões. Enfim, o trabalho, que era o motivo principal da viagem, tá ótimo, então já estou satifeto!
É isso, continuem comentando que isso me estimula a escrever mais! Um beijo a todos e fiquem tranquilo, tá frio mas minha casa é quente e tenho casaco!
Aqui estou e confirmo pra vocês: a Ucrânia realmente existe e ela está bem aqui, num lugar bem frio e esquecido do planeta. Até agora variei entre -3º à -27º C e fica, agora, muito mais claro pra mim o quanto não conhecemos o mundo e as milhões de possibilidades que se desenvolvem dentro dele. É incrível como a temperatura, uma questão de ordem física, altera toda uma população, em aspectos como história, desenvolvimento, personalidade, economia, costumes e, principalmente, a frieza do povo ucraniano.
Mas pra frente me empenharei em detalhar mais minhas impressões sobre o povo ucraniano e sua mentalidade. Agora preciso falar minhas primeiras impressões sobre minha chegada e deste pedaço de mundo tão estranho. As coisas aqui naturalmente são diferentes do Brasil por diversos motivos, além do clima, aqui encontramos resquícios do passado comunista (como conservadorismo, religiosidade, rudeza), contrastes no desenvolvimento (aspectos evoluídos por ser um país europeu contrapondo-se a atrasos e varias outras coisas por não fazer parte da zona do euro) e um país jovem. O fato de ser uma nação recém soberana faz com que exista uma certa ausência de sentimento nacional, de patriotismo, além de algumas coisas ainda não serem tão sistematizadas.
Uma coisa que muda completamente a rotina da cidade de Kiev é a neve. Ela está em todo lugar, em cima de carro, em árvores, no chão, nas minhas orelhas! Tive que me acostumar a sempre fazer mesmo processo ao sair pra rua e entrar em lugares fechados. Bota gorro, cachecol, segunda pele, meias, camisa, primeiro casaco, segundo casaco e uma boa bota. Agora tira tudo. Então bota tudo de novo, e assim vai.
O fato da moeda ser favorável pro real me faz ter uma condição super tranquila, gasto, por exemplo, em média R$ 250 com mercado, transporte, comer na rua e sair na noite. Claro que nunca esbanjando e nem passando aperto.
Estou num ritmo trabalho e casa, não tenho saído. Princialmente porque minha casa é longe do centro. Ah sim! Tenho que falar da minha casa! Ela é afastada da cidade, o último ônibus é 21h e ainda tenho que pegar um metrô pro ponto de ônibus. Fica num condomínio de umas 7 casas, e o portão fecha meia-noite. A casa tem um quintal mas só tem neve, por isso só serve como campo de batalhar pras guerras de bola de neve. Tem dois andares, em cima 2 suítes, uma sala-cozinha e adivinhe?!?! Temos uma sauna dentro de casa!! Eu sempre odiei sauna no Brasil, mas aqui é sensacional. Na casa somos 9: eu e Caio, 2 turcas e um turco, um eslovaco, um egípcio, um cara doido da malásia e, obvio, uma chinesa! Todos trabalhamos no mesmo projeto.
O trabaho tá incrível. Tenho 4 turmas em duas escolas, uma pública e uma privada. E pasmem, aqui na Ucrânia não vi diferença entre as duas entidades. Os alunos tem café da manhã e almoço. Tenho um roteiro a seguir, mas coloquei ele no fundo da gaveta. É obvio que não vou ficar aqui perdendo meu tempo falando sobre proatividade, brand pessoal e habilidades em negócios com crianças de 13 e 14 anos. Estou fazendo meus próprios temas, sempre tentando quebrar paradigmas e desfazer estereótipos culturais. Está sendo muito difícil e por isso mais prazeroso. Perco horas nas madrugadas preparando apresentações e desenvolvendo argumentos pras discussões. Enfim, o trabalho, que era o motivo principal da viagem, tá ótimo, então já estou satifeto!
É isso, continuem comentando que isso me estimula a escrever mais! Um beijo a todos e fiquem tranquilo, tá frio mas minha casa é quente e tenho casaco!
Assinar:
Postagens (Atom)
