domingo, 8 de abril de 2012

A areia é fofa e onipresente!

Aqui estou, mais uma vez, saciando ansiedade dos fiéis ledores hahahaha. Tenho estado muito satisfeito com retorno que as pessoas e os números estão me dando, satisfação essa motivo da piada. Venho traçando um roteiro de temas e tópicos pra abordar em cada postagem, dependendo de cada país e de quanto tempo fico neles. Aconteceu que transbordou o número de assuntos pra eu poder desenvolver sobre o Egito, seria impossível dar conta de todos eles com a frequência de postagens que tenho. Por isso, me decidir por juntar fatos e temas, coisas diferentes que aconteceram comigo pelas bandas de cá, sem poder me aprofundar tanto em cada um. Fazendo um tipo de relato básico de viajante que volta pra casa e é questionado incessantemente pela família ansiosa.



Meu álbum de fotos no Egito
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.358856930821996.75687.100000930770183&type=3


Cairo tem sido exatamente o oposto de Kiev. Lá na capital ucraniana tinha neve pra todo lado, aqui tem areia pra todo lado, cima e embaixo! Realmente foi uma cidade  que - apesar de ser cortada pelo mais extenso rio do mundo, o rio Nilo, que proporcionou áreas verdes em seus arredores - foi e ainda é levantada sobre o deserto. É incrível a quantidade de obras em construção nessa cidade. Mais incrível ainda é a quantidade de obras abandonadas! A cidade se expande em larga escala sobre a grande área inabitada de areia que a circunda, através de uma arquitetura exageradamente descomunal. Casas gigantescas em formato de antigos templos tomam à frente dessa corrida pela urbanização do grande areal chamado Egito. E por consequência inevitável, há areia pelas ruas. E como há. A ponto da cor mais comum a ser utilizada em construções é o próprio bege, cor de areia, já que branco é um alvo singelo para os ventos de areia.

A interação com mulheres aqui foi bem reduzida. Prometi desenvolver o tema sobre o uso do véu e a questão das mulheres no Islamismo, mas me reduzo apenas a dar meu parecer, me baseando nas conversas com meus amigos egípcios, com o que tenho visto e, principalmente, com o que tenho lido. Há uma tendência fortíssima em todo o mundo de rejeição ao véu bem como a cultura árabe. Falo isso por mim, que nunca soube a fundo sobre esse povo que fala tão embolado e cria barbas gigantes. Mas o que se vê por aqui é um respeito enorme pelas mulheres e vê-se claramente que é escolha delas usar a tal "prisão" que aparenta ser para os ocidentais. Há a consciência de que a mulher não tem necessidade de mostrar seu corpo, e a quantidade disso varia entre só os olhos até roupas normais para nós, reservando-se apenas para o seu marido, quem merece de fato a entrega carnal. Estive duas semanas na casa de um amigo egípcio e a primeira coisa que ele aconselhou foi "quando for conhecer minha mãe não estenda a mão para cumprimentá-lo pois você pode ficar no ar". Soa muito conservador para quem tá do lado daí, mas pasmem que pra mim não tem soado tão fervoroso assim e claro que quando coloco na balança e consigo me excluir do ambiente que estou, sempre pesa mais a opinião que há um grande exagero nessa cultura. Mas como diz a palavra, cultura é uma maneira que se acredita e que é vivida por um determinado povo, não sendo cem por cento julgável por quem não faz  parte dessa comunidade. Eu não me convenci de que é uma maneira justa e interessante de se viver, porém consegui sentir um pouco da beleza e do amor ao próximo que a religião muçulmana prega. E isso me fez entender que aqui se vive um povo normal, feliz e que está satisfeito  com sua formação religiosa.


Álbum com fotos da Ucrânia é nesse link, aproveite este passeio pelo Leste Europeu


Entrando em contraste com o conservadorismo religioso, o país passa por um grande momento na sua história. O ex-presidente Mubarak foi deposto pelo povo que, através da revolução de 25 de janeiro (seus filhos vão estudar sobre isso na escola) foi às ruas em busca de, não só a deposição do então presidente  que estava no poder há 30 anos, mas uma reforma geral em toda a nação. Aqui o sistema foi formato para funcionar nas mãos do odiado Mubarak, deixando muita coisa obsoleta e mal estruturada. E sua tentativa de tornar seu filho o sucessor do 'trono presidencial' levou a criação de um evento no facebook que arrastou 8 milhões de pessoas só nas ruas de Cairo para lutar contra policia. Aconselho para quem se interessou por esse dia a assistir o video nesse link http://www.youtube.com/watch?v=1b98V9PxXqo&fb_source=message . Enfim, as primeiras eleições da história do país estão chegando e os cidadãos estão eufóricos por finalmente estabelecer a sonhada democracia. Espera só e deixa eles irem aprendendo que isso não resolve nada, experiência própria né Brasil?

Li numa frase desses quase famosos, por que se fosse realmente eu lembraria o nome agora, que Cairo pode ser definida duas palavras: Caótica e Romântica. É a mais pura verdade. O caos está no sangue dos egípcios, claramente identificado no trânsito de Cairo. Em toda minha vida não devo ter visto 7 batidas de carro. Aqui em três semanas vi mais de dez, sem exagero. O comercio, os cafés, tudo é muito barulho e movimento. A cidade não dorme, você sai às duas da manhã e o pau tá comendo. Mas tem seu lado belo. Sem falar nas coisas mais incríveis do mundo chamadas pirâmides. A história é vista aqui em todo lugar. Basta você aguçar um pouco seus sentidos que você se sente no tempo dos faraós.

Peço de coração que os guerreiros que chegaram aqui no final do post que comentem. Pode ser qualquer coisa, nem que seja pelo menos pra dizer um "legal". Comentários e feedbacks são combustíveis para qualquer blogueiro!

Um beijo a tod@s

terça-feira, 27 de março de 2012

Do gelo liso pra areia fofa

Adeus Kiev, foi bom te conhecer! Na verdade quando se quer voltar, o certo é dizer até logo, né? Exatamente, quero e planejo voltar pra Ucrânia, ainda nesse primeiro semestre! Antes de viajar você vai imaginando tudo que você pode encontrar, imagina a cultura local, os choques e diferenças que enfrentará. Essa experiência que vivi lá conseguiu com muito êxito me propor mudanças irreversíveis que levarei comigo pra onde eu for. Reflexões a mil e uma mente muito mais global tá entrando no meu curriculum vitae, fora a quantidade de amigos internacionais no facebook! hahahahahahaha

E como tudo nessa viagem, aparece uma opção completamente inesperada: ir para o Egito antes da fase União Europeia. Vou explicar a situação. A viagem tava programada pra seis meses e só podemos ficar na zona do euro por três meses, ou seja, três meses fora. Tínhamos dois e meio na Ucrânia e precisávamos de mais 15 dias fora, foi aí que o convite surgiu. Nosso colega de trabalho, que virou grande amigo, nos convidou e compramos a ideia. Passagens Kiev para o Cairo e de lá do Egito passagem pra Munique, na Alemanha.

Trocamos o gelo infernal, que ocupava toda a cidade ucraniana, pela areia sagradas que também ocupam toda a cidade do Cairo. Mas pra minha surpresa, a temperatura não está tão melhor que Kiev, a noite o frio castiga a gente. Mas de qualquer forma, Cairo é apaixonante! Cidade que não dorme, que grita, que come muito, que dirige loucamente, que constrói numa arquitetura esplendida e que incrivelmente cresce sob o deserto numa velocidade 'camelar'!

Aqui você encontra de tudo, a cidade permeia entre monumentos mais antigos que o Brasil e prédios ultramodernos. A famosa e saborosa comida árabe (e porque não dizer terrível pra dor de barriga) em contraste com todos os restaurantes e fast foods internacionais. Uma forte cultura do narguilé, onde jovens e velhos passam o dia fumando, e que não tolera nem sequer um copo de álcool.

Aqui encontrei o tema que mais me tira a atenção e que mais alimenta minha mente curiosa. As mulheres. Me prometo e à vocês também me aprofundar mais nessa questão que é no mínimo hiper polêmica. Elas em 85% usam véu ao estar na presença de um homem, não saem à noite paras os famosos cafés egípcios e não dirigem a palavra normalmente aos homens na rua. E o mais incrível é que os homens aqui se orgulham por se intitularem os mais respeitosos e justos com as mulheres.

Estarei atento aos argumentos tanto deles quanto delas (isso caso eu consiga conversar com alguma) e o veredicto lhes compartilharei na próxima postagem ;) 

Ps1: Provavelmente vai dar erro na hora de comentar se voce colocar como anonimo, entao tente a opcao Nome/URL ok?

Ps2: So quem tem blog sabe o quanto comentários sao bons pra gente saber o que pessoas estao achando dessa joça aqui e, mais importante, que elas estao lendo! Então amados ledores, por obséquio, comentem porra!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Choque cultural em uma voltagem fulminante!


Começaram as despedidas. Os três turcos (duas meninas e um cara super sangue bom) que estavam trabalhando conosco no projeto, voltaram pra Turquia. E, como de costume, nós brasileiros fomos os mais emotivos e calorosos. Em cada despedida, sentíamos como se um irmão tivesse indo embora, em contrapartida, os outros gringos que continuam com a gente reagiram de uma forma muito mais contida e muito menos afetiva. Pessoas que compartilhamos experiências que nunca esqueceremos. Pessoas que provavelmente nunca mais veremos. Nos apegamos fácil demais ou são eles que são frios demais? Não sei, mas espero que a probabilidade erre dessa vez.


Alguns se foram, mas o projeto continua. Apesar de ter ficado duas semanas de molho em casa por causa de uma leve inflamação no calcanhar esquerdo (lendo sobre geografia política e entendendo melhor a revolta contra o ex-presidente Mubarak pelos próprios egípcios, e assitindo a primeira temporada de "Lie To Me", viciados em seriados de plantão, por favor, compartilhem suas análises) o trabalho continua interessante graças a nós intercambistas, não por êxito da Aiesec local, que a todo momento se mostra desorganizada e mal planejada. Debater e incitar jovens ucrânianos tem sido um enriquecimento profundo, tanto pela diferença de idade (que, apesar de não ser tão grande, já demonstra uma mentalidade diferente da minha geração), quanto pela diferença de nacionalidade/cultura/religão. Consegui sentir, de uma forma muito próxima, em temas como clonagem, homosexualismo, mulher na sociedade, entre outros, como o conservadorismo da religião ortodoxa e os resquícios soviéticos permeiam entre a mentalidade do povo do leste europeu, em sua maioria.


A sensação que tenho aqui é que sempre há um grande contraste em tudo:

Pudor: Não se pode andar sem camisa na rua; a idade mais comum de se casar é por volta dos 23 anos; são raríssimos os caso de traição e de pessoas com histórico de muitos relacionamentos; e mais raro ainda é o "ficar" brasileiro.
Contraste: As mulheres aqui, apesar do frio doloroso, confirmam a frase "Piriguete não sente frio" e andam om saias curtíssimas; namorados aqui se beijam loucamente nas ruas, nem comento o que tenho visto nas boates; e metade das prostiutas da europa são ucrânianas.

Alcolismo: É proibido beber na rua; jovens ao comprar bebida são obrigados a mostrar identificação
em qualquer lugar; e bêbados são visto com péssimos olhos pelos ucrânianos.
Contraste: Pessoas bebem na rua; vi muitos jovens embriagados em todo lugar e toda hora; um terço dos supermercados é reservado a bebidas alcólicas, vendendo mais de vinte tipos diferentes de vodka e todos os outros tipos de bebida; e o símbolo nacional mais típico do homem ucrâniano é o bêbado indigente, que por sinal, é recorrente encontrá-los nas ruas (apesar de não ter tanto morador de rua - contraste do contraste!).


Desenvolvimento: Esse é um aspecto que precisa ser desenvolvido mais do que em tópicos. A todo momento minha cabeça se confunde se este é um país de primeiro ou de terceiro mundo. As escolas são de ótima qualidade, incluindo as públicas. Eles aprendem 4 ou 5 línguas (dependendo da escola); possuem duplo período, sendo que por um turno pratica-se, obrigatoriamente, atividades como música; recebem café da manhã e almoço; entre alguns outros. A honestidade do povo daqui é de nos dar inveja: você entra no ônibus, seu dinheiro passa de mão em mão até chegar no motorista, daí então o seu troco volta, de mão em mão, certinho, nem um centavo faltando. Isso sem citar que você pode entrar e não pagar, já que não tem cobrador, mas ninguéfaz isso.
Sintomas de um povo que quer e pode se tornar em uma nação e tanto. Porém há outros fatos que a exclui do grupo de países desenvolvidos. Existem aqui todos os meios de transporte (metrô, ônibus, trollerbus, trem, plano inclinado e táxi) que, teoricamente, deveriam tornar a cidade de Kiev um centro de fácil locomoção. Teoricamente. Há uma enorme dificuldade se achar coisas por aqui, são raras as placas com nomes das ruas e quando há nunca em inglês. Ônibus ultrapassados e super lentos, sem falar na recorrente falta de sinalização para saber para onde vão e de onde vêm. Facilidades encontradas nos países capitalistas não são encontradas aqui com a mesma frequência. As coisas aqui não são tão acessíveis como estou acostumado. Mercados não têm a mesma variedade, as pessoas muitas vezes não sabem onde posso encontrar cabelereiro, materiais de construção, peças de informática, etc.

Antes de vir pra cá, no Brasil, comecei a aprender a língua russa e seu alfabeto cirílico. O progresso aqui não foi tão produtivo, porque pra isso tenho que encher o saco de todo mundo perguntando o tempo todo como falar 'isso' ou 'aquilo' em russo. Muito por isso tive que usar inglês para me comunicar, tanto com os intercambistas que moram comigo, quanto nas ruas. Sim, os cidadãos de Kiev falam inglês! Não como um país de primeiro mundo, mas muito mais que as cidades do Brasil. A população idosa não fala, mas todo jovem aprende na escola inglês (e quando digo aprende, é de fato aprender! Não como no Brasil...) o que torna possível minha comunicação com eles. E isso fez meu inglês desenvolver bastante, com certeza muito mais útil do que qualquer outra coisa.


 Então é isso, no geral as coisas estão ótimas. Continuo tendo casa quente e bons casacos, além de boas companhias. Quero sempre feedbacks a respeito das minhas postagens, se estão interessantes, grandes, pequenas, chatas. Perguntem e sugiram temas, impressões e opiniões. Na próxima postagem tenho uma grande surpresa! Não percam meu próximo relato...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Ucrânia existe!

Aqui estou e confirmo pra vocês: a Ucrânia realmente existe e ela está bem aqui, num lugar bem frio e esquecido do planeta. Até agora variei entre -3º à -27º C e fica, agora, muito mais claro pra mim o quanto não conhecemos o mundo e as milhões de possibilidades que se desenvolvem dentro dele. É incrível como a temperatura, uma questão de ordem física, altera toda uma população, em aspectos como história, desenvolvimento, personalidade, economia, costumes e, principalmente, a frieza do povo ucraniano.

Mas pra frente me empenharei em detalhar mais minhas impressões sobre o povo ucraniano e sua mentalidade. Agora preciso falar minhas primeiras impressões sobre minha chegada e deste pedaço de mundo tão estranho. As coisas aqui naturalmente são diferentes do Brasil por diversos motivos, além do clima, aqui encontramos resquícios do passado comunista (como conservadorismo, religiosidade, rudeza), contrastes no desenvolvimento (aspectos evoluídos por ser um país europeu contrapondo-se a atrasos e varias outras coisas por não fazer parte da zona do euro) e um país jovem. O fato de ser uma nação recém soberana faz com que exista uma certa ausência de sentimento nacional, de patriotismo, além de algumas coisas ainda não serem tão sistematizadas.

Uma coisa que muda completamente a rotina da cidade de Kiev é a neve. Ela está em todo lugar, em cima de carro, em árvores, no chão, nas minhas orelhas! Tive que me acostumar a sempre fazer  mesmo processo ao sair pra rua e entrar em lugares fechados. Bota gorro, cachecol, segunda pele, meias, camisa, primeiro casaco, segundo casaco e uma boa bota. Agora tira tudo. Então bota tudo de novo, e assim vai.
O fato da moeda ser favorável pro real me faz ter uma condição super tranquila, gasto, por exemplo, em média R$ 250 com mercado, transporte, comer na rua e sair na noite. Claro que nunca esbanjando e nem passando aperto.

Estou num ritmo trabalho e casa, não tenho saído. Princialmente porque minha casa é longe do centro. Ah sim! Tenho que falar da minha casa! Ela é afastada da cidade, o último ônibus é 21h e ainda tenho que pegar um metrô pro ponto de ônibus. Fica num condomínio de umas 7 casas, e o portão fecha meia-noite. A casa tem um quintal mas só tem neve, por isso só serve como campo de batalhar pras guerras de bola de neve. Tem dois andares, em cima 2 suítes, uma sala-cozinha e adivinhe?!?! Temos uma sauna dentro de casa!! Eu sempre odiei sauna no Brasil, mas aqui é sensacional. Na casa somos 9: eu e Caio, 2 turcas e um turco, um eslovaco, um egípcio, um cara doido da malásia e, obvio, uma chinesa! Todos trabalhamos no mesmo projeto.

O trabaho tá incrível. Tenho 4 turmas em duas escolas, uma pública e uma privada. E pasmem, aqui na Ucrânia não vi diferença entre as duas entidades. Os alunos tem café da manhã e almoço. Tenho um roteiro a seguir, mas coloquei ele no fundo da gaveta. É obvio que não vou ficar aqui perdendo meu tempo falando sobre proatividade, brand pessoal e habilidades em negócios com crianças de 13 e 14 anos. Estou fazendo meus próprios temas, sempre tentando quebrar paradigmas e desfazer estereótipos culturais. Está sendo muito difícil e por isso mais prazeroso. Perco horas nas madrugadas preparando apresentações e desenvolvendo argumentos pras discussões. Enfim, o trabalho, que era o motivo principal da viagem, tá ótimo, então já estou satifeto!

É isso, continuem comentando que isso me estimula a escrever mais! Um beijo a todos e fiquem tranquilo, tá frio mas minha casa é quente e tenho casaco!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Aqui estou. Lisboa, Portugal. O frio na barriga já passou. É, ele existia. Mas aventura já tinha começado no Brasil, comprei a passagem em menos de uma semana antes do voo, já fazia aulas de russo com uma amiga da Bielorrússia e o correio perdeu por uma semana meu visto enviado pelo consulado da Ucrânia. É, tudo isso em menos de três semanas.

Enfim chega o dia de ir ao aeroporto e dessa vez, ao contrário de todas as outras vezes, cheguei cedo! Muuitas pessoas pra se despedir de mim, isso me fez feliz de uma forma que não consigo descrever. Familiares e amigos se reuniram para cada um me dar um abraço que me energizou por inteiro, fiquei pronto pra ir. Já o voo foi tranquilo, sem muitas emoções (ainda bem!). Sem criança chorando no meu ouvido, sem vizinho de cadeira roncando no meu lado ou sendo espaçoso (gordinho!). Muitas perguntas e expectativas vinham na minha cabeça durante todo o voo. O que me espera lá? Vou realmente ter aqui histórias pra contar pra meus netos? Quando e como as coisas ruins vão acontecer? Elas vão acontecer?

 A sensação de pisar em outro continente pela primeira vez é muito boa. Principalmente quando você encontra um país de primeiro mundo. Ruas organizadas, transporte público de ótima qualidade, pessoas realmente civilizadas, entre muuitos outros diferenciais do Brasil. Quase tudo funciona perfeitamente aqui, sem falar no tempo incrível de Lisboa (céu sem nuvens, por-do-sol belíssimo e temperatura agradável o suficiente pra ser chique hahaha). Ficamos na casa de uma amiga, uma polonesa de nome Kasia (pronúncia: Casha e apelido dado por nós de Box). Ela é incrivelmente bem humorada, divertida e, de fato, dança muuuito. Ela tá fazendo Lisboa ser uma ótima surpresa e ser a melhor forma de começar a viagem. Ela nos mostrou praticamente toda cidade e a noite nos levou pra uma balada sensacional. A festa foi na boate Urban Beach e era barata (gastei em torno de 16 euros). Estávamos com amigos de Kasia, todos animados e de cada lugar do mundo, da China, da Finlândia e tinha apenas um de Portugal (hahaha).

Exatamente agora estamos nos arrumando para nossa segunda noite aqui. O nome da festa é "Chuck Norris Night". Estou meio apreensivo quanto a isso (hahahaha) e espero que seja tão ou mais sensacional quanto ontem. Já temos tudo organizado e planejado (muito graças a Caio, todos devem imaginar!) para um táxi nos pegar na festa e depois nos levar ao aeroporto em um horário seguro para não perdemos o voo. E finalmente amanhã chegamos em Kiev, com o maior frio do mundo. Trocaremos o clima perfeito de Lisboa por um frio lascado de -7ºC e neve.

A expectativa pra Kiev é muito grande. Um mundo muito distante do meu, com costumes e tradições que provavelmente pouco entenderei, mas que farei de tudo pra senti-los exatamente como um ucraniano. Sem falar nos problemas com comunicação. O alfabeto cirílico, usado nos países do leste europeu, é diferente do nosso e na Ucrânia falar inglês não significa muita coisa (hahaha). Há muito tempo venho ensaiando coisas pra dizer e fazer, porém na véspera da viagem me vem um branco de tudo. Um branco gostoso, uma sensação boa de não imaginar o que me espera e acabar tendo que ser exatamente eu, sem prever nada. Mas algo que faz o tempo que passarei em Kiev ser especial é o projeto no qual trabalharei. Tirando toda a badalação da União Europeia e o mochilão, participar de um projeto realmente engajado em mudar a realidade do planeta e fazer alguma diferença nesse mundão nosso, faz a viagem ter um sabor único. Bom agora deixa eu curti minha noite e nunca deixem de comentar e opinar sobre tudo nesse blog! Até sobre o template, tá Gabinha? hahahahaha

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pois é, a aventura finalmente está para começar. Como sonho de muitos garotos, mas não da grande maioria, eis o que chamo de um bom motivo para sentir o coração bater mais forte: a tão sonhada viagem a EUROPA! Nunca morei fora e o mais longe que já fui do Brasil foi ir ali, visitar os hermanos. Agora sim, 6 meses fora em outro continente completamente diferente e desconhecido até então pra mim.

Primeira parada: Ucrânia! Bom, na verdade faço uma escala de dois dias em Lisboa (Portugal), mas é um detalhe que vou contar depois! Ficarei na cidade de Kiev, que é a capital desse misterioso país do leste europeu. A ida para lá é por causa de um trabalho que irei realizar pela AIESEC, motivo que desencadeou toda a viagem. O trabalho faz parte do projeto World Without Borders (Mundo sem Fronteiras), que consiste em quebrar as barreiras culturais e sociais existentes através do contato com a realidade de outros países, sendo o Brasil representado por mim (que responsabilidade, hein?!). O foco é em jovens e crianças, por isso mais instigante ainda o projeto!

Fico na Ucrânia durante dois meses, daí vem o intervalo entre a primeira e segunda etapa da viagem. Ah! Tem um grande detalhe que ainda não falei. Durante toda a viagem terei a companhia de um graaande amigo (grande mesmo!) chamado Caio. Foi com ele que toda a ideia surgiu e se desenvolveu e não consigo imaginar com qual outra pessoa eu poderia realizar essa ideia maluca de rodar a Europa com uma mochila nas costas! Pois bem, Caio está em contato com um cara da Eslováquia que também vai partipar do projeto em Kiev. E a idéia é que a gente, depois de terminado o trabalho, passe um tempo lá na cidade dele, Liptovsky Mikulas. Esse é intervalo entre a primeira e a segunda etapa que falei.

A segunda etapa será na cidade de Munique, Alemanha. Caio tem uma tia que mora lá e será nossa hospedagem por um pouco mais de um mês. É a nossa 'entrada' na União Europeia, e com muito estilo, né? Pois é, estamos muito ansiosos, contando as horas para entrar no avião. Viver a experiência que tanto sonhamos e voltarmos diferentes. Contando todas as peripécias e desventuras no Velho Mundo. Medo, ansiedade, expectativa, empolgação e muita alegria. É esse conjunto de sensações que borbulhando dentro de mim, me faz contar os dias para pisar no avião e ir em busca de histórias pra contar. É pra isso que fiz esse blog, contar detalhe por detalhe cada experiência vivida e sofrida por mim nesses próximos 6 meses. Faltam 8 dias e esse relato começa aqui!